O Palácio do Freixo

Agradecimentos: Quero aqui manifestar os meus sinceros agradecimentos, á Exma. Câmara Municipal do Porto na pessoa do seu Exmo. Vereador Sr. Fernando  Albuquerque e respectivo secretariado, pela colaboração prestada nas autorizações para a tomada de imagens do Palácio, assim como a cedência de brochuras  informativas e sua utilização.

1 - Ver Fotografias do Palácio

 

2 - Ver Plantas e outras curiosidades do Palácio do Freixo

 

 

 

O Palácio do Freixo localiza-se na freguesia de Campanhã, cidade do Porto.

A Quinta do Freixo, junto ao rio Douro, perto da desembocadura do rio Tinto, existe desde o século XVII. Com traços característicos do arquitecto italiano Nicolau Nasoni, o palácio foi mandado construir por Vicente Távora e Noronha, cavaleiro da Ordem de Malta, tendo sido habitado por descendentes seus até 1850, ano em que foi vendido a António Afonso Velado, depois 1º Barão (1865) e 1º Visconde do Freixo.

Descrição

O palácio é em estilo barroco, com influências portuguesas e apresenta traços pessoais de Nasoni. O acentuado declive do terreno não impediu Nasoni de tirar partido da riqueza cenográfica envolvente. Não só aproveitou este factor como também rodeou a casa com terraços dispostos em planos diferentes, constelados de jardins recheados de esculturas e fontanários.

O edifício apresenta planta quadrangular, com quatro torreões salientes em cada ângulo cobertos por telhados em pirâmide. Muros ondulantes e escadarias interiores e exteriores completam uma descrição genérica do palácio. O maior desafio residiu na disposição do palácio em quatro fachadas diferentes. Cada fachada da casa tem um desenho distinto, sendo a que está direccionada para leste a mais movimentada. Os frontões são decorados com grinaldas de flores, medalhões, máscaras, cachos de frutos e por uma pedra de armas. A balaustrada que corre sobre o andar nobre é ornamentada. São ainda vários os pináculos que se encontram ao longo da balaustrada das fachadas e nos torreões. Nasoni motivou-se na escultura de elementos aquáticos tipica do barroco, como algas, peixes, vieiras, líquenes e golfinhos (símbolo da família Távora e Noronha).

O jardim foi claramente desenhado segundo a tradição italiana, com esculturas e com uma vista magnífica sobre o rio.

O interior do palácio é extremamente rico. Grande parte dos compartimentos têm frescos, assim como bem executados tectos de estuque, alguns de matiz oriental. A pintura ilusória com temas alegóricos é comum no interior do palácio, grande parte executada pelo próprio Nasoni

 

 

Recuperação do Palácio do Freixo e áreas envolventes

Textos de : F. Távora e J. B. Távora


A - Definido ao longo de estudos anteriores o conjunto de edifícios e espaços a recuperar; tendo como motivação central o Palácio do Freixo, classificado como Monumento Nacional, consideram-se no presente Projecto as áreas de intervenção seguintes que constituem o referido conjunto e objecto de processos separados:

1 - Palácio do Freixo e Áreas envolventes.
2 - Áreas envolventes e arranjos exteriores na Zona do Freixo.
3 - Desvio da E .N. 108 na Zona do Freixo.
4 - Pavilhão das Descobertas e Parque de Estacionamento.
B - No que se refere ao Palácio do Freixo e Áreas envolventes Interessou-nos não apenas a sua situação e forma física mas também o seu significado de valor cultural, enquanto obra de arte projectada por Nicolau Nazoni, mas, igualmente, a presença do tempo e do uso como definidores e criadores da sua forma actual, isto é, a consideração do seu espaço em termos do seu tempo.
C - Encontrámos, assim, quatro fases ou tempos da história do Palácio: o da sua edificação, cerca de 1750, e sua vivência pelo Deão da Sé do Porto; o da sua aquisição, em meados do século XIX por António Afonso Velado, depois Barão e Visconde do Freixo; o da sua nova aquisição para instalação da fábrica de Moagens Harmonia e construção desta no fim do século XIX; finalmente o da sua venda ao Estado, cedência posterior à Câmara Municipal do Porto e decisão da sua recuperação para sede da Área Metropolitana.
D - A leitura do edifício relativa à sua primeira fase revela um cuidadoso, amplo e seguro projecto, adoptando o modelo de uma "villa" renascentista, tardio embora, que ocupa um ponto elevado sobre o rio e se abre sobre os quatro pontos cardeais, gerando eixos interiores da sua planta que se projectam sobre a paisagem exterior, assim consequentemente estruturada.
- De destacar uma clara definição de cada uma das suas quatro fachadas, a qualidade do seu tratamento exterior e a sua relação com os espaços internos; uma obra de grande dignidade e marcada presença que constitui o mais notável edifício civil produzido pelo seu autor.
- Em relação à arquitectura do mesmo tipo corrente na época, em Portugal, e sobretudo no norte do país, é de notar o facto de se tratar de um projecto total e unitariamente realizado, o que não acontece por exemplo, na Prelada, e de o seu programa de espaços exteriores e interiores corresponder claramente ao de uma casa de campo - ou de recreio - em claro contraste com a residência do Deão em Vandoma, junto da Sé Catedral e em pleno centro da cidade medieval.
E - Na sua segunda fase o edifico é quase e totalmente mantido no que toca aos seus espaços exteriores próximos e na estrutura espacial dos seus espaços internos, excepto, porventura, no que se refere a volumetria do sector norte e ao regime de acessos verticais. Mantidos embora na generalidade os espaços internos, eles são, entretanto, tratados com estuques, pinturas e carpintarias à maneira da época, subvertendo a granítica sobriedade Nazoniana, outrora compensada seguramente pela pintura a fresco, de que restam envergonhados exemplos.
- Uma fábrica de sabão edificada a poente da quinta anuncia já o próximo destino do sitio.
F - Com efeito, vendidos o Palácio e jardins próximos para a instalação de uma fábrica de Moagens, construída esta e utilizado o edifício para residência da direcção perde-se parte da sua envolvente, é afectado na sua leitura exterior e na clareza da sua implantação e não devidamente conservado no seu interior onde, possivelmente, são realizados alguns pequenos trabalhos de conservação ou relativos a instalações da cozinha e de peças sanitárias.
G - Na sua última e actual fase o edifício prosseguiu o seu destino: abandonado como residência - factor contribuinte para a situação actual - sofreu algumas obras por parte dos Edifícios e Monumentos Nacionais, relativas a cobertura e caixilharias, após o inicio de um incêndio, e encontrava-se em progressivo processo de degradação, requerendo, assim, intervenção urgente. Encontrava-se sem destino.
H - Embora não tenha sido fornecido um programa rigoroso para a reutilização do Palácio do Freixo, o que se compreende, uma vez que pela sua natureza o edifício dispõe de forte estrutura compartimental, cremos que o estudo apresentado é garante da inteligência da decisão assumida para a sua nova função. Com efeito, e quanto a nós, ele poderá satisfazer eficazmente o seu novo destino, não tanto quanto a instalação de serviços de natureza administrativa - que deverão ocupar outro lugar - mas quanto á sua representatividade, quer pelo valor do edifício e seus espaços externos quer pela sua situação.
I - Assim, poderá ler-se a proposta relativa ao arranjo de espaços envolventes próximos - acesso pelo norte, agora como acesso principal, pátios nascente e poente, como acessos secundários, esplanada e jardins sobre o rio, a sul; clara, igualmente, se torna a proposta relativa a muros exteriores contendo os respectivos pátios.
J - Para além das referidas como anexas ao Palácio do Freixo constituem igualmente Áreas Envolventes as restantes a Norte do conjunto e as situadas numa extensão de cerca de 200 m entre os edifícios do Palácio e do Pavilhão das Descobertas. As áreas situadas a Norte são separadas pelo novo acesso e diferentes na sua morfologia; a Nascente encontra-se o morro em cuja encosta foi implantado o Palácio: assim protegido e enquadrado no terreno, olhando o Rio; a Poente um terreno baixo no qual se inserem as fozes de dois pequenos rios, o Tinto e o Torto que aí desembocam no Douro. A área situada entre os dois edifícios, de forma rectangular, será organizada segundo uma sucessão de espaços - pátios, na continuação da solução preconizada por Mestre Nicolau; cria-se, assim, um elemento de percurso que se debruça sobre o Douro e permite uma aproximação controlada de qualquer dos edifícios que o limita. . Finalmente, a cota inferior, oferece-se ainda um amplo espaço de cais desenvolvido no sentido Nascente - Poente que garante o acesso ao Rio. O tratamento vegetal dos espaços em referência é fundamentalmente arbóreo no sector Norte, constituindo-se em protecção climática e motivo de enquadramento, continuidade e limitação da paisagem; tal vegetação arbórea será mais rara e menos anónima no sector entre os dois edifícios e junto do Rio.
K - A Variante à E.N.108 surgiu como necessidade de desvio do tráfego automóvel que actualmente atravessa a área atribuída ao Conjunto, perturbando grandemente a sua tranquilidade.
Trata-se, afinal, de obter uma solução semelhante a de outrora, uma vez que a via actual era
um percurso privado da quinta depois tornado público. . A solução encontrada, tomando em conta a beneficiação da frente de acesso e a posse de terreno do morro a Norte, consistiu na criação de uma envolvente, aproveitando e beneficiando três extensões de via existentes e criando uma quarta que reencontre o traçado antigo junto ao rio. . Das três extensões, e caminhando de Poente para Nascente, a primeira e a segunda terão perfil transversal semelhante com separador central e a terceira, reduzindo embora a sua pendente acentuada, consiste no alargamento de uma via existente. Uma quarta extensão a construir; no sentido Norte - Sul, faz a ligação com a marginal existente. Dotada de passeios para peões, em parte arborizados a via apresenta no seu traçado valores regulamentares e prevê uma passagem superior para inversão de trânsito e acesso à Casa de Vilar D'Allen, recentemente classificada. Foram intenções da solução proposta as de melhorar os traçados existentes, rever o seu perfil transversal, marcar com dignidade o acesso ao Palácio, Pavilhão, Estacionamento e Jardins, garantir acesso à Fábrica Harmonia e ao Museu da Indústria e da Ciência, a Nascente, e, finalmente, encontrar um traçado merecedor de aprovação por parte das diversas entidades.
L - Já anteriormente proposto na sua localização, implantação e volumetria, o Pavilhão das Descobertas adquiriu agora a sua formalização em fase de Projecto. Ocupando o extremo poente do conjunto projectado, a 200m da fachada do Palácio, e com acesso principal pela alameda que separa - e que une os dois edifícios - o Pavilhão, dimensionado em planta segundo um módulo quadrado de 30m de lado, semelhante ao que no séc. XVIII estabeleceu Nicolau Nasoni, desenvolve-se em quatro pisos e dispõe, no seu total, de uma área bruta de 6.400m2.
M - Na ausência de um programa rígido, mas apenas (de um destino, de um local e de uma área, foi intenção do estudo conceber um edifício que, para além de responder ao seu enquadramento, natural e construído, proporcione espaços de exposição de dimensões variáveis, flexíveis no seu aproveitamento, com expressão e identidade próprias mas capazes de receber a infindável variedade de temas, de percursos e de dimensões de actividades diversas. Espaços de exposição a que se associam outros de diversa natureza, complementares mas indispensáveis à completa e variada utilização do edifício.
N - Passados quatro anos de estudos e projectos e três anos de obra, a variante à E.  N. 108
funciona já, o Pavilhão das Descobertas não está construído. O Palácio do Freixo e jardins
envolventes estão concluídos. Sem destino.